As pedagogias (A)enunciadas e suas adjetivações: percursos educacionais e discursivos / The pedagogies (A) stated and their adjectives: educational and discursive pathways

Alexandra Tagata Zatti, Tânia Regina Raitz, Alexandre Vanzuita, Mayara Ana da Cunha Kersten, Naiara Gracia Tibola

Abstract


 Nossa reflexão se inscreve na proposição de um gesto de leitura sobre as diferentes (a)enunciadas nomeações e adjetivações das pedagogias e as referentes formações discursivas presentes na textualização vídeo-documental “La Educación Prohibida” (2012). Como objetivo nos interessa pensar neste trabalho como transitam estes saberes que (a) enunciam pela perspectiva de um conhecimento a promoção de um novo/velho modelo de aprender. Nosso recorte acontece a partir do momento em que após o movimento da Escola Nova, em 1932, é “autorizado” que novas abordagens educacionais anunciadas sejam na íntegra de seus enunciados "ditos" e praticadas e, em consequência destas práticas rejeitar o não-dito das pedagogias tradicionais, através dos processos de reformulação de um enunciado que se coloca em funcionamento. Movimento teórico que se dará através da Análise do discurso de linha francesa e a Semântica da Enunciação para pensar como este espaço de (a)enunciação se configura como acontecimento discursivo; em que a temporalidade dos processos discursivos acontecem e, como o funcionamento da língua na qual estas nomeações são (a)enunciadas promovem algo, desconsiderando a perspectiva da situação em que se estabelecem como prática, no entanto, interessa pensá-las como materialidade histórica (Guimarães, 2005). Já do ponto de vista da historicidade estas nomeações nos remetem a várias memórias discursivas para a ambientação destas propostas que se dão sobre/na interpelação do indivíduo em sujeito na (forma histórica do sujeito, capitalista, sustentado pelo jurídico e diria ainda pelo discurso autoritário da educação). Já em Henry (2010) a historicidade consiste para nós a história, nesse fazer sentido, mesmo que possamos divergir sobre esse sentido em cada caso e que aparece para dizer, o que e como estas pedagogias parecem vestir-se de certas nomenclaturas para exercer sua função social. Pedagogias que seguem na alternância de seus nomes sendo consideradas como experiências alternativas que “tentam” fugir do modelo tradicional hegemônico para manter-se na neutralidade do sistema de ensino. Nesta perspectiva, em “Freire para educadores” (2014) o autor contesta esta neutralidade negando-a e, vai afirmar que atrás de toda neutralidade há uma opção educativa escondida, que imbuída de uma práxis que seria para libertar os sujeitos “ditos” humanizados e escolarizados, domestica para dominar. As denominações progressista, libertária, popular, ativa, aberta, em casa, entre pares, cooperativa, alternativa, criativa, ecológica, holística, etnoeducação, educação sem escola, mães educadoras, pedagogia da cooperação, autoaprendizagem e tantas outras, procuram se estabelecer com/em suas “pedagogetivações ou pedagogeadjetivações”[1] para estabelecer um vínculo de aprendizagem entre aqueles sujeitos que necessitam e dizem educar-se. Pelo interesse da pesquisa e para reflexão fica a pergunta: Que discurso à escola contemporânea busca para promover aprendizagens em seus ambientes de ensino?


 


Keywords


Análise do Discurso. Pedagogias. Anunciação. Enunciação. Adjetivação.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n3-308

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