Estoque de volume e biomassa na madeira de Cordia goeldiana Huber (freijó) em sistema agroflorestal multiestratificado / Volume and biomass stock in Cordia goeldiana Huber (freijó) wood in a multi-stratified agroforestry system

Adriano Reis Prazeres Mascarenhas, Fernando Luíz de Oliveira Corrêa, Rafael Rodolfo de Melo, Miguel Harafat Vitória Almeida, Wesley Duarte da Silva, Maúcha Fernanda Mota Lima, Cássio Marques Moquedace dos Santos, Sherellyn Daphnee Alves Moretti

Abstract


Para equacionar os problemas ambientais promovidos por sistemas de produção agrícola convencionais, a implementação de sistemas agroflorestais possibilita ao produtor rural a produção de alimentos e fibras, melhoria da qualidade de vida e prestação de serviços ecológicos, como estocagem de biomassa. Objetivou-se estimar a biomassa seca e úmida da madeira de freijó (Cordia goeldiana Huber) cultivada em sistema agroflorestal (SAF) multiestratificado. A idade das árvores do SAF é de 19 anos, e são cultivadas em renques duplos no espaçamento 5,0 m x 2,5 m. Em todas as árvores foram medidas as variáveis dendrométricas: número de árvores por ha, altura (h) e diâmetro a altura do peito (DAP). As árvores de freijó foram agrupadas em três classes diamétricas com amplitude de classe de 7,24 cm. Em seguida abateu-se uma árvore representativa de cada classe diamétrica, para cubagem e coleta de madeira em diferentes alturas relativas. Obteve-se a densidade básica e aparente ponderadas; umidade na base seca; e umidade na base úmida. Esses parâmetros foram utilizados para estimar a biomassa seca e úmida na madeira de freijó. Apesar do freijó ter sido cultivado em SAF, observou-se que a distribuição de árvores por classe foi semelhante à de florestas plantadas. Registrou-se tendência crescente para densidade básica e aparente ao passo que se elevou os diâmetros. Para umidade a tendência foi decrescente. As estimativas de biomassa seca pela densidade básica e pela umidade na base seca não deferiram. Os valores de biomassa seca e úmida foram crescentes da classe I para Classe III.  Houve influência da estrutura diamétrica das árvores de freijó no SAF nos parâmetros analisados entre as classes. Observou-se correlação positiva da biomassa com o aumento de diâmetro. Os valores de biomassa encontrados na madeira de freijó foram condizentes com as características esperadas para espécies utilizadas em sistema agroflorestal.


Keywords


Meio ambiente; Física da Madeira; Serviços ambientais; Agroecologia.

References


ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11941-02 - Determinação da densidade básica em madeira. Rio de Janeiro, 2003.

ALVARES, C. A.; STAPE, J. L.; SENTELHAS, P. C.; DE MORAES, G.; LEONARDO, J.; SPAROVEK, G. Köppen s climate classification map for Brazil. Meteorologiche Zeitscharift, 22(6):711-728, 2013. Disponível em: https://dx.doi.org/10.1127/0941-2948/2013/0507. Acesso em: 15 fev. 2020.

ARAUJO, H. J. B. Ações de restauração de florestas exploradas seletivamente no sudoeste da Amazônia brasileira. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 3, n. 1, p. 43-59, 2020.

BALBINOT, R.; TRAUTENMÜLLER, J. W.; CARON, B. O.; BORELLA, J.; JUNIOR, S. C.; BREUNIG, F. M. Vertical distribution of aboveground biomass in a seasonal deciduous forest. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v. 12, n. 3, p. 361-365, 2017. DISPONÍVEL EM: https://doi.org/10.5039/agraria.v12i3a5448. Acesso em: 15 fev. 2020.

CARMONA, I. N.; DE AQUINO, M. G. C.; DA ROCHA, D. Í. S.; DAS NEVES SILVA, J. J.; FICAGNA, A. G.; BALONEQUE, D. D.; OTAKE, M. Y. F.; PAULETTO, D. Variáveis morfométricas de três espécies florestais em sistema agroflorestal. Revista Agroecossistemas, v. 10, n. 1, p. 131-144, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.18542/ragros.v10i1.5158. Acesso em: 15 fev. 2020.

CARVALHO, A. Madeiras portuguesas: estrutura anatómica, propriedades, utilizações. Lisboa: Instituto Florestal, v. 1, 1996.

LATORRACA, J. V. F.; ALBUQUERQUE, C. E. C. de. Efeito do rápido crescimento sobre as propriedades da madeira. Floresta e Ambiente, v. 7, n. único, p. 279-291, 2012.

LIMA, J. P. C.; LEÃO, J. R. A. Dinâmica de crescimento e distribuição diamétrica de fragmentos de florestas nativa e plantada na Amazônia Sul Ocidental. Floresta e Ambiente, v. 20, n. 1, p. 70-79, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.4322/floram.2012.065. Acesso em: 15 fev. 2020.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 2ed. Nova Odessa: Plantarum, v.2, 1998.

LPF - LABORATÓRIO DE PRODUTOS FLORESTAIS. Banco de dados das madeiras brasileiras. Disponível em: < http://sistemas.florestal.gov.br/madeirasdobrasil/>. Acesso em: 29 abr. 2017.

MAGALHÃES, J. G. S.; SILVA, M. L.; SALLES, T. T.; REGO, L. J. S. Análise econômica de sistemas agroflorestais via uso de equações diferenciais. Revista Árvore, v. 38, n. 1, p. 73-79, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0100-67622014000100007. Acesso em: 15 fev. 2020.

MARDSEN C.; MARTIN-CHAVE, A.; CORTET, J.; HEDDE, M.; CAPOWIEZ, Y. How agroforestry systems influence soil fauna and their functions-a review. Plant and Soil, p. 1-16, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11104-019-04322-4. Acesso em: 15 fev. 2020.

MELO, R. R.; DEL MENEZZI, C. H. S.; DE SOUZA, M. R.; STANGERLIN, D. M. Evaluation of physical, chemical, mechanical and surface properties of the Schizolobium amazonicum Veneer. Floresta e Ambiente, v. 20, n. 2, p. 238-249, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.4322/floram.2013.004. Acesso em: 15 fev. 2020.

MOULIN, J. C.; ARANTES, M. D. C.; OLIVEIRA, J. G. L. D.; CAMPINHOS, E.; GOMES, F.; VIDAURRE, G. B. Efeito do Espaçamento, Idade e Irrigação no Volume e Densidade Básica do Eucalipto. Floresta e Ambiente, v. 24, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2179-8087.073914. Acesso em: 15 fev. 2020.

MUKUL, S. A.; HERBOHN, J.; FIRN, J. Tropical secondary forests regenerating after shifting cultivation in the Philippines uplands are important carbon sinks. Scientific Reports, v. 6, p. 22483, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1038/srep22483. Acesso em: 15 fev. 2020.

PEDROSA, T. D.; MASCARENHAS, A. R. P.; MELO, R. R.; STANGERLIN, D. M. Estimativa da biomassa em um plantio de Eucalyptus grandis na região Centro-Oeste. Scientia Plena, v. 9, n. 5, 2013.

ROCHA, G. P.; FERNANDES, L. A.; CABACINHA, C. D.; LOPES, I. D. P.; RIBEIRO, J. M.; FRAZÃO, L. A.; SAMPAIO, R. A. Caracterização e estoques de carbono de sistemas agroflorestais no Cerrado de Minas Gerais. Ciência Rural, v. 44, n. 7, p. 1197-1203, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20130804. Acesso em: 15 fev. 2020.

SAKSCHEWSKI, B.; VON BLOH, W.; BOIT, A.; POORTER, L.; PEÑA-CLAROS, M.; HEINKE, J.; JOSHI, J.; THONICKE, K. Resilience of Amazon forests emerges from plant trait diversity. Nature Climate Change, v. 6, n. 11, p. 1032-1036, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1038/nclimate3109. Acesso em: 15 fev. 2020.

SANQUETTA, C. R.; BEHLING, A.; CORTE, A. D.; SIMON, A.; PSCHEIDT, H.; RUZA, M. S.; MOCHIUTTI, S. Estoques de biomassa e carbono em povoamentos de acácia negra em diferentes idades no Rio Grande do Sul. Embrapa Amapá-Artigo em periódico indexado (ALICE), 2014.

SANTOS, H. G.; JACOMINE, P. K.; ANJOS, L. H. C.; OLIVEIRA, V. A.; LUMBRERAS, J. F.; COELHO, M. R.; ALMEIDA, J. A.; ARAÚJO FILHO, J. C.; OLIVEIRA, J. B.; CUNHA, T. J. F. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa, 2018a.

SANTOS, M. F.; COSTA, D. L.; MELO, L. O.; GAMA, J. R. V. Estrutura, distribuição espacial e dinâmica florestal de duas espécies nativas após extração manejada de madeira na Flona do Tapajós. Advances in Forestry Science, v. 5, n. 2, p. 351-356, 2018b. Disponível em: http://dx.doi.org/10.34062/afs.v5i2.5921. Acesso em: 15 fev. 2020.

VALE, A. T. D.; FIEDLER, N. C.; SILVA, G. F. D. Avaliação energética da biomassa do cerrado em função do diâmetro das árvores. Ciência Florestal, v. 12, n. 2, p. 115-126, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.5902/198050981686. Acesso em: 15 fev. 2020.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n3-284

Refbacks

  • There are currently no refbacks.