Transição nutricional e epidemiológica em comunidades tradicionais da amazônia brasileira / Nutritional and epidemiological transition in traditional communities in the brazilian amazon

Rodrigo Alexandre da Cunha Rodrigues, Francisco Pereira de Oliveira, Raquel Amorim dos Santos

Abstract


Na Amazônia brasileira, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, camponeses e extrativistas apresentam, historicamente, elevados índices de desnutrição e doenças infecciosas. Por outro lado, o modo de vida tradicional é considerado protetor para as doenças cardiovasculares. No entanto, a relação socioeconômica com os núcleos urbanos tem promovido uma crescente incorporação de produtos industrializados na dieta das populações rurais, gerando aumento dos índices de doenças crônicas. O presente artigo tem como objetivo expor, por meio de uma revisão narrativa, o perigoso fenômeno de transição nutricional e epidemiológica por que passam, nas últimas décadas, as comunidades tradicionais não-indígenas da Amazônia brasileira. Para frear esse processo, é necessário repensar o modelo de desenvolvimento econômico adotado no Brasil.


Keywords


Transição nutricional, População rural, Ecossistema amazônico.

References


AMARAL, D.P. Dinâmicas de Desenvolvimento local e impactos na alimentação de comunidades ribeirinhas na região do médio rio Tapajós, estado do Pará, Amazônia Brasileira. Brasília. 98 p. Dissertação (Desenvolvimento Sustentável) - Universidade de Brasília, 2012.

ARNAIZ, M.G. Em direção a uma Nova Ordem Alimentar? In: CANESQUI, A.N; GARCIA, R.M.D.G. Antropologia e Nutrição: um diálogo possível. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005. 306 p.

BORGES, W.D. Prevalência da hipertensão arterial sistêmica e seus determinantes bioantropológicos em populações quilombolas da Amazônia. Belém. 81 p. Dissertação (Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia) - Universidade Federal do Pará, 2011.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Bolsa Família: Cidadania e Dignidade para Milhões de Brasileiros. Brasília, DF: MDS, 2010.

BRASIL. Lei No. 12.512, de 14 de outubro de 2011. Institui o Programa de Apoio à Conservação Ambiental e o Programa de Fomento às Atividades Rurais. Brasília, DF: MMA, 2014.

BRASIL. Lei No. 10.779, de 25 de novembro de 2003. Dispõe sobre a concessão do benefício de seguro desemprego, durante o período de defeso, ao pescador profissional que exerce a atividade pesqueira de forma artesanal. Brasília, 25 de novembro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.

CANESQUI, A.N; GARCIA, R.M.D.G. Uma introdução à reflexão sobre a abordagem sociocultural da alimentação. In: CANESQUI, A.N; GARCIA, R.M.D.G. Antropologia e Nutrição: um diálogo possível. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005. 306 p.

CUNHA, M.C; ALMEIDA, M.W.B. Populações Tradicionais e Conservação Ambiental. In: Cultura com Aspas e Outros Ensaios. São Paulo: Cosacnaify, 2009, p. 237-268.

DIEGUES, A.C. Environmental impact assessment: The point of view of artisanal fishermen communities in Brazil. Ocean & Coastal Management. Philadelphia, v. 39, p. 119-133, 1998.

DIEGUES, A.C; MOREIRA, A.C. Espaços e Recursos Naturais de Uso Comum. São Paulo: Edusp/Nupaub, 2001. 254 p.

DIEGUES, A.C.; ARRUDA, R. (Orgs.). Saberes tradicionais e biodiversidade no Brasil. Brasília: Ministério do Meio Ambiente; São Paulo: USP, 2001. 62 p.

DURHAM, E.R. Dinâmica da cultura: ensaios de antropologia. 2004. 415 p.

GALLOIS, G.T. Sociedades Indígenas e Desenvolvimento: discursos e práticas para pensar a tolerância. Seminário Internacional: “Ciência, cientistas e tolerância”. GT Populações Indígenas – UNESCO/USP, p. 1-14, 1997.

GUERRERO, A.F.H. Situação Nutricional de Populações Remanescentes de Quilombos do Município de Santarém, Pará – Brasil. Rio de Janeiro, f. 150, 2010. Tese (Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Disponível em:. Acesso em: 27 mar. 2019.

GUIMARÃES, R.C.R; SILVA, H.P. Estado nutricional e crescimento de crianças quilombolas de diferentes comunidades do Estado do Pará. Amazôn., Rev. Antropol. (Online) , v. 7, n. 1, p. 186-209, 2015.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatísticas – Sociais – Populações – Censo Demográfico 2010.

LUTZEMBERGER, J.A. O Absurdo da agricultura. Estudos Avançados. São Paulo, v. 15, n. 43, p. 61-74, 2001.

MARIOSA, D.F.; CAMILO, M.V.G.F. Território, Trabalho e Saúde: Repercussões Socioambientais do Estilo de Vida em Duas Comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, Manaus, Amazonas. Rev. Gest. Sist. Saúde. São Paulo, v. 7, n. 2, p. 189-205, maio/agosto 2018.

MARIOSA, D.F. et al. Vulnerabilidade Socioambiental, Transição Demográfica e Epidemiológica na RDS do Tupé, Manaus, Amazonas. Hygeia, v. 11, n. 20, p. 138-152, Jun 2015.

MARIOSA, D.F.; FERRAZ, R.R.N.; SILVA, E.N.S. Influência das condições socioambientais na prevalência de hipertensão arterial sistêmica em duas comunidades ribeirinhas da Amazônia, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 5, p. 1425-1436, 2018.

MURRIETA, R.S.S; DUFOUR, D.L; SIQUEIRA, A.D. Food consumption and subsistence in three caboclo populations on Marajó Island, Amazonia, Brazil. Hum Ecol, v. 27, n. 3, p. 455-75, 1999.

MURRIETA, R.S.S. et al. Consumo alimentar e ecologia de populações ribeirinhas em dois ecossistemas amazônicos: um estudo comparativo. Rev. Nutr.. Campinas, v. 21(Suplemento), p. 123s-133s, jul./ago.2008.

MURRIETA, R.S.S. O dilema do papa-chibé: consumo alimentar, nutrição e práticas de intervenção na Ilha de Ituqui, baixo Amazonas, Pará. Revista de Antropologia. São Paulo, USP, v. 41, n. 1, p. 97-150, 1998.

NARDOTO, G.B. et al. Frozen Chicken for Wild Fish: Nutritional Transition in the Brazilian Amazon Region Determined by Carbon and Nitrogen Stable Isotope Ratios in Fingernails. American Journal of Human Biology, v. 23, p. 642–650, 2011.

OLIVEIRA, B.F.A. et al. Prevalência de hipertensão arterial em comunidades ribeirinhas do Rio Madeira, Amazônia Ocidental Brasileira. Cad. Saúde Pública. Rio do Janeiro, v. 29, n. 8, p. 1617-1630, ago 2013.

ORTIZ, R. Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo: Ática, 1983.

PFFEIFER, J.M. et al. Biocultural diversity in traditional rice-based agroecosystems: indigenous research and conservation of mavo (Oryza sativa L.) upland rice landraces of eastern Indonesia. Environment, Development, and Sustainability. Ithaca, v. 8, n. 4, p. 609-625, 2006.

PIPERATA, B.A. et al. The Nutrition Transition in Amazonia: Rapid Economic Change and its Impact on Growth and Development in Ribeirinhos. American Journal of Physical Anthropology, v. 146, p. 1-13, 2011.

PIPERATA, B.A. Nutritional Status of Ribeirinhos in Brazil and the Nutrition Transition. American Journal of Physical Anthropology, v. 133, p. 868–878, 2007.

POLLAN, M. Em Defesa da Comida: um manifesto. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008. 275 p.

ROTHER. et al. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta paul. Enferm. v. 20, n.2. 2007.

SAHLINS, M. O “pessimismo sentimental” e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um “objeto” em via de extinção (parte I). Mana. Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, p. 41-73, 1997.

SILVA, A.T.R. Áreas protegidas, populações tradicionais da Amazônia e novos arranjos conservacionistas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 34, n. 99, e349905 (21p), 2019.

SILVA, H.P. A saúde humana e a Amazônia no século XXI: reflexões sobre os objetivos do milênio. Novos Cadernos NAEA, v. 9, n. 1, p. 77-94, Jun 2006.

SILVA, H.P. et al. Obesity, Hypertension, Social Determinants of Health, and the Epidemiologic Transition among Traditional Amazonian Populations. Ann Hum Biol, v. 43, n. 4, p. 371-81, Jul 2016.

SILVA, R.J; GARAVELLO, M.E.P.E. Ensaio sobre transição alimentar e desenvolvimento em populações caboclas da Amazônia. Segurança Alimentar e Nutricional. Campinas, v. 19, n. 1, p. 1-7, 2012.

SILVA, R.J. Impactos do desenvolvimento em comunidades tradicionais: transição agroalimentar e ajustes adaptativos. Piracicaba, 2014. 138 p. Tese (Ecologia Aplicada) - Escola Superior de Agricultura "Luis de Queiroz".

TARDIDO, A.P; FALCÃO, M.C. O impacto da modernização na transição nutricional e obesidade. Revista Brasileira de Nutrição Clinica. São Paulo, v. 21, n. 2, 2006.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n3-120

Refbacks

  • There are currently no refbacks.