Conhecimento a respeito de resistência bacteriana e hábitos de utilização de antimicrobianos em uma população no sul do Brasil/ Knowledge about bacterial resistance and antibiotic utilization habits in a population in the Southern region of Brazil

Fernanda Rodrigues Mendonça, Antônio Sérgio Varela Júnior, Karen Cristine de Albuquerque Ferreira Pereira, Tamires Silva dos Santos, Juliana Ribeiro Pegoraro, Etiane Avila Zimermann, Carine Dahl Corcini

Abstract


Os antimicrobianos foram um dos mais importantes adventos na ciência moderna e ainda hoje a medicina se baseia na utilização dos mesmos. Entretanto, os mecanismos evolutivos destes microorganismos adicionado à pressão seletiva da utilização irracional dos antibióticos faz com que os graus de resistência bacteriana se elevem exacerbadamente. Foi feito um estudo qualitativo transversal na população da cidade de Pelotas/RS através da aplicação de um questionário online onde foram recebidas 517 respostas. A prevalência populacional deste estudo foi de mulheres 86,65%, de 20 a 25 anos e que ainda estão cursando o ensino superior, proporção esperada em uma cidade universitária. Porém, apesar da maior parte da população (91,4%) concordar que o uso irracional de antimicrobianos favorece o surgimento de cepas resistentes, aproximadamente metade da população admitiu fazer uso destes sem a prescrição de um profissional de saúde. Estas porcentagens não se refletem com relação aos cuidados com a antibioticoterapia de seus pets. Aparentemente as mulheres são melhor informadas à respeito de saúde, porém ainda assim também estão mais envolvidas com práticas não racionais do uso de antibióticos, além disso essa prática também parece ser maior entre a população com maior nível educacional. Conclui-se, portanto, que apesar da população ser detentora do conhecimento relativo ao surgimento das superbactérias, o fator cultural da automedicação ainda é muito forte, mesmo em uma amostra de elevado grau educacional, demonstrando ainda ser necessário que se faça um maior trabalho de conscientização e educação da população. 


Keywords


antibioticoterapia, cepas multirresistentes, resistência bacteriana, saúde pública, farmacoepidemiologia.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n2-048

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