Avaliação in vitro de quimioterápicos e fitoterápicos no controle de argulus sp / Vitro evaluation of chemotherapy and phytotherapy in the control of argulus sp

Sara Ugulino Cardoso, Bruna Rafaela Caetano Nunes Pazdiora, Raul Dirceu Pazdiora, Luciane da Silva Carvalho Oliveira, Ricardo Massato Takemoto, Ricardo Henrique Bastos de Souza

Abstract


O presente estudo teve como objetivo avaliar a eficácia in vitro da utilização de quimioterápicos e fitoterápicos no controle de Argulus sp. O experimento foi realizado na Base de Piscicultura Carlos Eduardo Matiazze e no Laboratório de Produção Animal (LAPA), da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Presidente Médici- RO. Foram analisados 480 indivíduos de Argulus sp. coletados em ambiente de cultivo, sendo testados 15 tratamentos (1 controle, 8 produtos fitoterápicos e 6 produtos quimioterápicos). Cada tratamento continha três repetições, com 10 parasitos/placa, contendo 10 ml de solução preparada com os produtos, na concentração de 100 mg/L. A eficácia antiparasitária dos produtos foi analisada a cada 15 minutos, com a contagem dos parasitos mortos. Os testes tiveram uma duração de 180 min. Neste ensaio in vitro, os resultados foram satisfatórios ao testar o efeito inibitório de quatro tratamentos com produtos quimioterápicos e dois tratamentos com fitoterápicos sobre os Argulus sp., onde as soluções com permanganato de potássio, Neguvon® e formaldeído apresentaram 100% de eficácia nos primeiros quinze minutos de experimento. E, os produtos cal, extrato de nem e copaíba apresentaram 100%, 100% e 80%, respectivamente, aos cento e oitenta minutos, tempo final de avaliação experimental. Os demais produtos conseguiram atingir a eficácia de 30%, 26,7%, 26,7%, 13,3%, 6,7%, 3,3%, 0% e 0% para mamão, alho, mastruz, gengibre e albendazol, babosa, sal e cravo, respectivamente. Estes resultados evidenciam que os produtos naturais são factíveis, economicamente viáveis e ambientalmente corretos para a piscicultura, contribuindo com a sustentabilidade, por diminuir a utilização de produtos químicos, como por exemplo em estações de reprodução de peixes, para controle de matrizes e reprodutores. As substâncias de origem vegetal podem ser apresentadas como fonte alternativa para o uso direto ou no desenvolvimento de anti-parasitários fitoterápicos, requerendo avanço nos estudos para tratamento in vivo, substituindo-se o de produtos químicos por naturais. Os resultados encontrados possibilitam ainda um maior embasamento quanto ao controle do parasito Argulus sp., nos direcionando ao desenvolvimento de novas pesquisas, tanto in vitro como in vivo, levando à difusão das mesmas e, futuramente, à aplicação destas nos ambientes de cultivo. 


Keywords


Sanidade; Tratamentos; Eficácia.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n2-036

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