Planejamento e produção florestal em área de concessão na Amazônia Ocidental / Planning and forest production in concession area in the western Amazon

Scheila Cristina Biazatti, Rômulo Mora, Marta Silvana Volpato Sccoti, João Fideles de Brito Júnior, Lindomar Alves de Souza, Luizinho de Souza

Abstract


A capacidade de produção das florestas nativas varia conforme os aspectos do ambiente e do planejamento florestal, de forma que, aliando esses dois parâmetros ao cumprimento das exigências legais pode-se subsidiar a sustentabilidade da exploração florestal de impacto reduzido. Nesse sentido, objetivou-se com o presente trabalho caracterizar o potencial de produção e o planejamento de exploração em área de concessão na Flona do Jamari, RO, como forma de visualizar a dinâmica da produção madeireira, considerando os aspectos de disponibilidade de recursos da floresta e a prática do planejamento da exploração de impacto reduzido. A área de estudo compreendeu as Unidades de Produção Anual (UPAs) localizadas na Unidade de Manejo Florestal (UMF) III da Flona do Jamari, RO. Utilizando como base os dados do inventário florestal 100%, com amostragem de todas as árvores com DAP≥40 cm e dos resultados da exploração madeireira das árvores colhidas (DAP≥50 cm), foram descritos o potencial de produção da área e a dinâmica de produção. Foram amostradas em média 79 espécies, as quais resultaram em taxa média de produção de 20,78 m.ha-1, no entanto, aproximadamente 66% desse volume é colhido, devido questões de planejamento da empresa. As espécies mais exploradas na área são Faveira-ferro (Dinizia excelsa), Embireira (Couratari stellata), Muiracatiara (Astronium lecointei) e Angelim-pedra (Hymenolobium heterocarpum), mas, evidencia-se que não houve a presença de espécies classificadas como de maior valor madeireiro entre estas, o que pode indicar baixa riqueza de tais espécies nas áreas. A distribuição diamétrica das UPAs demonstra, manutenção média de 44% dos indivíduos da floresta e uma tendência de que há maior exploração das árvores com DAP entre 60 e 100 cm, destacando ainda que, para as árvores de grandes dimensões, verificou-se as maiores taxas de indivíduos remanescentes. Dessa forma, a partir dos resultados obtidos, percebe-se que, os aspectos produtivos naturais e dinâmica de produção da floresta manejada devem ser considerados para que tenha a possibilidade de explorações atual e futuras, a fim de permitir o uso sustentável e conservação dos recursos naturais.

 


Keywords


inventário florestal; manejo de florestas nativas; planejamento da exploração florestal.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv5n7-097

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