Secretário executivo, uma profissão / Executive secretary, a profession

Zahara Puga Araujo

Abstract


A profissão de secretário executivo, no Brasil, é regulamentada desde 1985. O objetivo desta pesquisa é verificar se a lei de regulamentação está sendo respeitada, isto é, se há profissionais que exercem a profissão sem o devido registro profissional. Esta pesquisa se justifica por buscar dados que mostrem a realidade do mercado atual, a fim de verificar se os profissionais habilitados para a profissão estão competindo com profissionais sem a devida qualificação. O presente trabalho caracteriza-se como descritivo. Realizou-se pesquisa quantitativa com o objetivo de quantificar informações e opiniões acerca do tema. Para a coleta de dados, foi feito um levantamento de informações por meio de um questionário on-line, divulgado, principalmente, por e-mail e pelas redes sociais e os respondentes participaram espontaneamente.Para o aporte teórico, utilizou-se pesquisa bibliográfica, principalmente em relação à legislação brasileira existente sobre o tema.Buscou-se analisar, principalmente, a relação entre formação e atuação profissional para que fosse verificado o cumprimento, ou não, da legislação. Foi feita pesquisa para verificar a cidade onde se trabalha, nomenclatura registrada em carteira, formação acadêmica ese o profissional tem registro profissional como Secretário Executivo.Foram registradas 224 respostas, entre novembro de 2016 e maio/2017, com respondentes de 47 cidades, de todas as regiões do Brasil,sendo a maioria, representando 31,2%, de São Paulo. Constatou-se que há diversas nomenclaturas diferentes para o registro em carteira, sendo apresentadas 41, a maior parte dos respondentes registrados como como Secretário(o) Executivo(a). No tocante à formação acadêmica, foram registradas 28 respostas diferentes, sendo 64,1% em cursos de Secretariado Executivo/ Bilíngue/Trilíngue, e o restanterespondeu “outras formações”, o que englobadiversos cursos, como Jornalismo, Educação Física, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Pessoas e Comércio Exterior, além de alguns respondentes não terem nenhuma formação. Sobre o registro profissional, menos da metade disse possuir registro como Secretário(a) Executivo(a). O restante trabalha como Secretário(a) Executivo(a) sem ter a devida habilitação. Uma pequena parte já deu entrada no registro, mas o processo ainda está em andamento. Constatou-se que, em geral, as empresas utilizam nomenclaturas diversas para contratar profissionais que atuam com secretariado, mas que não possuem registro profissional. É comum que esses profissionais sejam registrados em carteira como “Assistente Executivo Bilíngue”, “Assistente de Diretoria”, entre outros. Contratar um profissional de secretariado sob outra nomenclatura, como Auxiliar Administrativo, que possui outro código na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) caracteriza desvio de função.Com este estudo, foi possível verificar que a lei de regulamentação da profissão de secretariado executivo não está sendo respeitada por todas as empresas. Profissionais de formações diversas, e até sem nenhuma formação ocupam vagas destinadas a essa profissão tão importante. Verifica-se a necessidade de fiscalizar o exercício da profissão, o que será possível, de modo efetivo, com a criação do Conselho Profissional de Secretariado. Enquanto isso não acontecer, deparamo-nos com inúmeros casos de profissionais que exercem irregularmente a profissão.Espera-se que os pontos aqui levantados despertem maior interesse por parte dos estudantes, profissionais, docentes e pesquisadores no campo secretarial para que haja mais engajamento em prol da profissão.

Keywords


Palavras chave: Secretariado Executivo. Profissão. Nomenclaturas.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv5n6-175

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