Avaliação de fadiga e qualidade de vida em portadores de esclerose múltipla / Evaluation of quality and quality of life in multiple sclerosis patients

Camylla Gabryella Gomes Silva, Maria da Conceição Nascimento da Silva, Natália Feitoza do Nascimento, Dominique Babini Albuquerque Cavalcanti

Abstract


Introdução: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica, inflamatória, degenerativa e desmielinizante do Sistema Nervoso Central, que resulta em lentificação da velocidade de transmissão nervosa. Clinicamente, é caracterizada pela tríade de Charcot: nistagmo, tremor intencional e fala escandida, cursando também com fadiga, déficit sensorial, fraqueza muscular e incoordenação motora, interferindo na qualidade de vida do indivíduo. Objetivos: Avaliar a presença de fadiga e a percepção da qualidade de vida em portadores de EM, comparar a presença de fadiga em indivíduos com e sem EM, e correlacionar as variáveis fadiga e qualidade de vida em portadores de EM. Método: Estudo observacional, transversal, prospectivo e comparativo, cuja amostra foi composta por 40 indivíduos, na faixa etária entre 25 e 45 anos, sendo 20 com diagnóstico de EM, e 20 voluntários saudáveis, para fins comparativos. A pesquisa foi conduzida na Associação Pernambucana de Esclerose Múltipla, localizada em Recife-PE, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos do Centro Universitário Maurício de Nassau, sob o Parecer de nº 561.284. Foram coletados dados sócio-demográficos e clínicos e em seguida, aplicada a Escala Modificada de Impacto da Fadiga Brasileira (MFIS-BR) com todos os participantes da pesquisa. A Escala de Determinação Funcional da Qualidade de Vida na Esclerose Múltipla (DEFU) foi aplicada com os portadores de EM. O teste t de Student foi utilizado para analisar as diferenças entre os escores da MFIS-BR intergrupos. O Índice de Correlação de Sperman foi utilizado para analisar a correlação entre as variáveis. Para nível de significância estatística, foi considerado um p ≤ 0,05. Os dados foram analisados no programa BioEstat 5.0. Resultados: Observou-se escore médio total da MFIS-BR menor no grupo de portadores de EM (41,40 ± 10,04) quando comparado ao grupo de indivíduos saudáveis (67,85 ± 9,38), com diferença de média de 26,45 [IC95%: 20,23 - 32,67], e diferença estatística significativa (p=0,0001). Foi encontrado um risco 9,00 [IC95%: 1,63 - 49,44] vezes maior de presença de fadiga em indivíduos com EM quando comparados àqueles sem a patologia. Houve correlação significativa entre a presença de fadiga e a redução na percepção da qualidade de vida em portadores de EM (p=0,0001; R=0,978). Conclusão: A esclerose múltipla aumenta o risco de presença de fadiga e está associada à redução da percepção da qualidade de vida nesta população, fatores que devem ser levados em consideração pelo profissional Fisioterapeuta no planejamento da intervenção terapêutica.


Keywords


Esclerose Múltipla; Fadiga; Qualidade de Vida.

References


Grisante AI, Stanich P. Esclerose múltipla: aspectos nutricionais e o papel dos nutrientes específicos. Conscientia e Saúde. 2006;

Pereira GC, Vasconcellos THF, Ferreira MR, Teixeira DG. Combinações de técnicas de fisioterapia no tratamento de pacientes com Esclerose Múltipla: Série e casos. Rev. Neurociência. 2012;

O’Connor P. Key issues in the diagnosis and treatment of multiple sclerosis. Neurology. 2002;

Grzesiuk AK. Características clínicas e epidemiológicas de 20 pacientes portadores de Esclerose múltipla acompanhados em Cuiabá – Mato Grosso. Arq Neuro-Psiq. 2006;

Mendes MF. Avaliação Neuropsicológica na Esclerose Múltipla: Interferência na Fadiga e principais correlações. Tese – Universidade Federal de São Paulo; 2001.

Pavan K et al. Avaliação da Fatigabilidade em pacientes com esclerose múltipla através do dinamômetro manual. Arq Neuropsiquiatr. 2006;

Wa rd N, Winters S. Results of a fatigue management programme in multiple sclerosis. Br J Nursing 2003;

Mendes MF, Tilbery CP, Felipe E, Balsimelli S, Moreira MA, Barão-Cruz AM . Fadiga na forma remitente recorrente da esclerose múltipla. Arq Neuropsiquiatr 2000;

Comi G, Leocani L, Rossi P, Colombo B. Physiopathology and treatment of fatigue in multiple sclerosis. J Neurol 2001;

Oliveira EML, Souza NA. Esclerose Múltipla. Rev. Neurociência. 1998;

Furtado OLPC, Tavares MCGC. Esclerose múltipla e exercício físico: Artigo de revisão. Acta Fisiatr. 2005;

Morales RR et al. Qualidade de vida em portadores de Esclerosa Múltipla. . Arq Neuro-Psiq. 2007;

Astudilla P, Machado R, Peralles S, Stribel VLW. Relação entre fadiga e qualidade de vida em pacientes com esclerose múltipla: uma revisão de literatura. Rev. Neurociência. 2001;

Mendes MF et al. Validação de Escala de Determinação Funcional da Qualidade de Vida na Esclerose Múltipla para a Língua Portuguesa. Arq Neuropsiquiatr 2004;

Pavan K. et al. Adaptação transcultural e validação da escala modificada de impacto de fadiga. Arq Neuropsiquiatr. 2007;

Janardhan V, Bakshi R. Quality of life in patients with multiple sclerosis: The impact of fatigue and depression. J Neurol Sci. 2002;

Merkelbach S, Sittinger H, Koenig J. Is there a differential impact of fatigue and physical disability on quality of life in multiple sclerosis? J Nerv Ment Dis. 2002;

Benedict RH, Wahlig E, Bakshi R, Fishman I, Munschauer F, Zivadinov R, et al. Predicting quality of life in multiple sclerosis: Accounting for physical disability, fatigue, cognition, mood disorder, personality, and behaviour change. J Neurol Sci. 2005;

Patti F, Russo P, Pappalardo A, Macchia F, Civalleri L, Paolillo A. FAMS study group: Predictors of quality of life among patients with multiple sclerosis: An Italian cross-sectional study. J Neurol Sci. 2007;

Salehpoor GH, Kafi SM, Rezaei S, Hosseininezhad M, Salehi I. The relation between fatigue severity with psychological symptoms and quality of life in patients Multiple Sclerosis (MS) Zahedan J Res Med Sci (ZJRMS) 2012;

Salehpoor G, Rezaei S, Hosseininezhad M. Quality of life in multiple sclerosis (MS) and role of fatigue, depression, anxiety, and stress: A bicenter study from north of Iran. Iran J Nurs Midwifery Res. 2014;

Lisak D. Overview of symptomatic management of Multiple Sclerosis. J Neurosci Nurs. 2001;

Trindade JMO. Visão atual sobre a pessoa portadora de esclerose múltipla. Dissertação [Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde] - Universidade do Algarve; 2011.

Baggio BF, Teles RA, Renosto A, Alvarenga LFC. Perfil epidemiológico de indivíduos com Esclerose Múltipla de uma associação de referência. Rev. Neurociência. 2011;

Léon J et al. A review about the impact of multiple sclerosis on health-related quality of life. Disability and Rehabilitation. 2003;

Fria AMP, Cuzzati BA, Lopes GAP, Lima RAO. Disfunção Urinária em Paciente Portadora de Esclerose Múltipla. Rev Neurociência. 2013;


Refbacks

  • There are currently no refbacks.