Desempenho ocupacional e qualidade de vida de adolescentes em diferentes momentos do tratamento oncológico / Occupational performance and quality of life of adolescents at different times of cancer treatment

Mariana Oliveira Leite Silva, Maria Lúcia Pedroso Cesari Lourenço Alves, Ana Carolina Cardinal, Érica Boldrini

Abstract


 

O objetivo deste trabalho foi estudar o desempenho ocupacional e qualidade de vida em adolescentes com câncer e verificar se existem diferenças nestas duas áreas em adolescentes ainda em tratamento oncológico e adolescentes na fase de follow up, através da avaliação da funcionalidade, verificação do desempenho de papéis ocupacionais e avaliação da qualidade de vida e a qualidade de vida relacionada à saúde. Trata-se de pesquisa transversal, quantitativa e descritiva, com coleta de dados prospectiva e amostragem por conveniência. Os instrumentos de coleta de dados foram: uma ficha de caracterização, para coleta de dados sociodemográficos e clínicos; a Medida de Independência Funcional (MIF); a Lista de Papéis Ocupacionais; e o Pediatric Quality of Life Inventory (PedsQL), em suas versões PedsQL Generic Core Scales e PedsQL Cancer Module. Houve diferença significativa entre os grupos em relação às médias de pontuação total da MIF, com pontuação mais baixa no grupo Em tratamento; frequências de desempenho de papéis ocupacionais nos tempos passado (trabalhador e voluntário), presente (estudante, cuidador, serviço doméstico, amigo) e futuro (religioso); médias de pontuação total no PedsQL Cancer Module e nos domínios “Dores e Machucados”, “Náuseas e Vômitos”, “Ansiedade frente aos procedimentos” e “Dificuldades Cognitivas” e também nas médias de pontuação total no PedsQL Generic Core Scales, assim como em todos os seus domínios (“Saúde e Atividades”, “Sentimentos”, “Convívio com outras pessoas” e “Escola”), com pontuações inferiores no grupo Em tratamento, mostrando que adolescentes em tratamento oncológico se encontram em risco quanto ao seu desempenho ocupacional, no que diz respeito à independência funcional e ao envolvimento em papéis ocupacionais, bem como em relação à qualidade de vida, uma vez que apresentaram índices inferiores aos de adolescentes que já concluíram o tratamento.

 


Keywords


Oncologia. Adolescente. Terapia Ocupacional. Qualidade de vida.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv2n4-097

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