Conhecimento do enfermeiro sobre Delirium em Unidades de Terapia Intensiva Adulto / Knowledge of the nurse about Delirium in Intensive Care Units

Rafaela Alexandre de Souza, Luciana Soares Costa Santos, Acácia Maria Lima de Oliveira Devezas, Rosimeire Angela Queiróz Soares

Abstract


Introdução: O Delirium é um distúrbio de consciência e cognição, que tem como características a diminuição da atenção e alterações secundárias tais como percepção alterada, déficit de memória, orientação e raciocínio. Os fatores de risco incluem principalmente, a idade avançada, a privação de sono, imobilidade, desidratação e uso de sedativos. Sua detecção precoce pode agregar qualidade nas intervenções e resultados positivos nas práticas assistenciais. Objetivo: Avaliar o conhecimento do enfermeiro de Unidade de Terapia Intensiva sobre Delirium. Métodos: Trata-se de um estudo de campo, descritivo, com analise de discurso. A coleta de dados se deu em um hospital de ensino, da zona central do município de São Paulo, em quatro Unidades de Terapia Intensiva com 42 leitos, no período de 01 de abril a 01 de maio de 2018. Utilizou-se um roteiro de questões estruturado sobre o conhecimento do enfermeiro sobre Delirium e uma ficha de caracterização sócio demográfica e profissional. Resultados: A amostra foi composta por dezenove enfermeiros. Diagnosticar o Delirium não é uma tarefa fácil, eventualmente pode ser confundido com outros tipos de alterações mentais como a demência e efeitos da sedação, por isso, são fundamentais o conhecimento prévio da história neurológica do doente. A percepção dos enfermeiros em relação ao Delirium apresenta lacunas que podem ser preenchidas com a atualização do conhecimento para a identificação precoce e no manejo do paciente com Delirium. Pode incluir como parte das melhorias no cuidado ao paciente crítico voltado a minimizar o quadro de Delirium ações que incluem os familiares, muito importante na prevenção, ajudando na reorientação e em outras terapias devido ao apoio emocional, organização do ambiente, controle de luz e orientação tempo-espacial aos pacientes, destacando-se a necessidade de implementação de medidas para aprimorar o cuidado prestado na UTI, minimizando as complicações decorrentes do quadro clínico do Delirium. Conclusões: O presente estudo conclui que além de ser uma condição de difícil diagnóstico, o Delirium apesar de sua relevância, permanece sub diagnosticado. Para isso deve ser monitorado pelo enfermeiro através da aplicação da escala CAM-ICU como parte da sua rotina de trabalho na UTI, reconhecendo precocemente os sinais e sintomas do Delirium.


Keywords


Enfermeiro, Unidades de Terapia Intensiva, conhecimento, delírium.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv2n4-038

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