Qualidade de mudas de carnaubeira (Copernicia prunifera – Miller - H. E. Moore) irrigadas com águas salinas

José Lucínio de Oliveira Freire, Naelson Araújo dos Santos, Jadeilson Alves de Arruda, Tadeu Macryne Lima Cruz, Gislaine dos Santos Nascimento

Resumo


A carnaubeira é uma planta nativa de grande importância econômica para a região semiárida nordestina, situando-se, predominantemente, de forma espontânea em solos halomórficos. Informações sobre a produção de mudas desta planta são incipientes na literatura nacional, principalmente no que se refere sob condições de estresse salino. Com isto, esta pesquisa objetivou avaliar caracteres de crescimento inicial e a qualidade de mudas de carnaubeira produzidas com suprimento hídrico com águas de diferentes salinidades. O experimento foi realizado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – campus Picuí, em delineamento inteiramente casualizado, com 6 tratamentos e dez repetições. Os tratamentos corresponderam às aplicações de águas com os níveis de salinidade de 0,5; 2,5; 4,5; 6,5 8,5 e 10,5 dS m-1. As variáveis analisadas foram tempo médio de emergência, índice de velocidade de emergência, altura da planta, diâmetro do caule, área foliar, massa seca da parte aérea, massa seca da raiz, massa seca total e índice de qualidade de Dickson. O tempo médio de emergência foi elevado em 1,9 dias a cada aumento unitário da condutividade elétrica da água de irrigação, sendo de 66,7 dias quando o substrato foi irrigado com água de 10,5 dS m-1. O índice de velocidade de emergência foi reduzido de 0,020 a 0,013 quando se utilizaram águas de 0,5 e 10,5 dS m-1, respectivamente. Independentemente do nível de salinidade da água de irrigação, as mudas apresentaram alturas médias de 37,9 cm. As mudas de carnaubeira irrigadas com águas mais salinas apresentaram menores área foliar, massa seca da parte aérea, massa seca da raiz, massa seca total e com menos qualidade agronômica. As mudas de carnaubeira de qualidade aceitável foram produzidas quando irrigadas com água de condutividade elétrica de até 8,2 dS m-1.


Palavras-chave


Agroecologia; Estresse salino; Produção de mudas; Salinidade.

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, J. A. R.; PEIXOTO, C. P.; PASSOS, A. R.; SANTOS, J. F.; PEIXOTO, V. A. B. Diferentes métodos para a determinação da área foliar em genótipos de girassol. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer, v. 7, n. 13, p. 398-403, 2011.

ARRUDA, G. M. T.; CALBO, M. E. R. Efeitos da inundação no crescimento, trocas gasosas e porosidade radicular de carnaúba (Copernicia prunifera (Mill.) H. E. Moore). Acta Botânica Brasilica, v.18, n.2, p.219-224, 2004.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas – PAN‐Brasil. Brasília: MMA, 2004. Disponível em < http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/combate-a-desertificacao/programa-nacional>. Acesso em Nov de 2018.

CHAVES, M. M.; FLEXAS, J.; PINHEIRO, C. Photosynthesis under drought and salt stress: regulation mechanisms from whole plant to cell. Annals of Botany, v.103, p.551-560, 2009.

D’ALVA, O. A. O extrativismo da carnaúba no Ceará. 2004. 193p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Ceará- Fortaleza, 2004.

DICKSON, A.; LEAF, A. L.; HOSNER, J.F. Quality appraisal of white spruce and white pine seedling stock in nurseries. Forestry Chronicle, v. 36, p.10-13, 1960.

DUTRA, T. R; MASSAD, M. D.; MOREIRA, P. R.; RIBEIRO, S. M. Efeito da salinidade na germinação e crescimento inicial de plântulas de três espécies arbóreas florestais. Revista Florestal Brasileira, v. 37, n. 91, p. 323-330, 2017.

FERNANDES, A. R.; CARVALHO, J. G.; CURI, N.; GUIMARÃES, P. T. G.; PINTO, J. E. B. P. Crescimento de mudas de pupunheira (Bactris gasipaes H.B.K) sob diferentes níveis de salinidade. Ciência e Agrotecnologia, v.27, n.2, p.278-284, 2003.

FERREIRA, D. F. Sisvar: a guide for its bootstrap procedures in multiple comparisons. Revista Ciência e Agrotecnologia, v. 38, n. 2, p. 109-112, 2014.

FREIRE, J. L. O.; CAVALCANTE, L. F.; DIAS, T. J.; DANTAS, M. M. M.; MACEDO, L. P. M.; AZEVEDO, T. A. O. Teores de micronutrientes no solo e no tecido foliar do maracujazeiro amarelo sob uso de atenuantes do estresse salino. Agropecuária Técnica, v. 35, n. 1, p. 65-81, 2015.

GORDIN, C. R. B.; MARQUES, R. F.; MASETTO, T. E.; SOUZA, L. C. F. Estresse salino na germinação de sementes e desenvolvimento de plântulas de niger (Guizotia abyssinica (L.f.) Cass.). Acta Botânica Brasilica, v. 26, n. 4, p. 966-972, 2012.

GUEDES, R. S.; ALVES, E. U.; GALINDO, E. A.; BARROZO, L. M. Estresse salino e temperaturas na germinação e vigor de sementes de Chorisia glasiovii O. Kunte. Revista Brasileira de Sementes, v. 33, n. 2, p. 279-288, 2011.

GUPTA, B.; HUANG, B. Mechanism of salinity tolerance in plants: physiological, biochemical, and molecular characterization. International Journal of Genomics, v. 1, p. 1-18, 2014.

HARTER, L. S. H.; HARTER, F. S.; DEUNER, C.; MENEGHELLO, G. E.; VILLELA, F. A. Salinidade e desempenho fisiológico de sementes e plântulas de mogango. Horticultura Brasileira, v. 32, n. 1, p. 80-85, 2014.

HOLANDA, S. J. R.; ARAÚJO, F. S.; GALLÃO, M. I.; MEDEIROS FILHO, S. Impacto da salinidade no desenvolvimento e crescimento de mudas de carnaúba (Copernicia prunifera (Miller) H.E. Moore). Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 15, n. 1, p. 47-52, 2011.

HUNT, G. A. Effect of styroblock design and cooper treatment on morphology of conifer seedlings. Proceedings... Fort Collins: United States Departament of Agriculture, Forest Service, 1990, p.218-222.

KASHEM, M. A.; SULTANA, N.; IKEDA, T.; HORI, H.; LOBODA, T.; MITSUI, T. Alteration of starch-sucrose transition in germinating wheat seed under sodium chloride salinity. Journal of Plant Biology, v. 43, n. 3, p. 121-127, 2000.

JACOMINO, A. P.; MARTINEZ OJEDA, R.; KLUGE, R. A.; SCARPARE FILHO, J. A. Conservação de goiabas tratadas com emulsões de cera de carnaúba. Revista Brasileira de Fruticultura, v.25, n.3, p.401-405, 2003.

LIMA, B. G.; TORRES, S. B. Estresses hídricos e salinos na germinação de sementes de Zizyphus joazeiro (Ramnaceae). Revista Caatinga, v. 22, n. 4, p. 93-99, 2009.

LOPES, J. C.; FREITAS, A. R.; BELTRAME, R. A.; VENANCIO, L. P.; MANHONE, P. R.; SILVA, F. R. N. Germinação e vigor de sementes de pau d’alho sob estresse salino. Pesquisa Florestal Brasileira., v.35, n.82, p.169-177, 2015.

MAGUIRE, J. D. Speed germination and in selection and evaluation for seedlings emergence and vigor. Crop Science, v. 2, p. 176-177, 1962.

MARINHO, F. J. L.; GHEYI, H. R.; FERNANDES, P. D. Germinação e formação de mudas de coqueiro irrigadas com águas salinas. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 9, n. 3, p.334-340, 2005.

MEEROW, A. W. Palm seed germination. 2004. In: IFAS Cooperative. Nevada: University of Nevada. Disponível em . Acesso em Out de 2018.

MUNNS, R. Comparative physiology of salt and water stress. Plant Cell & Environment, v.25, p.239-250, 2002.

MUNNS, R.; TESTER, M. Mechanisms of salinity tolerance. Annuario Journal Plant Biology, Adelaide, v. 1, n. 59, p. 651-81, 2008.

NOGUEIRA, D. H. Qualidade e potencial de utilização de frutos de genótipos de carnaubeira (Copernicia prunifera) oriundos do estado de Ceará. 2009. 134 p. Tese (Doutorado) - Universidade Federal da Paraíba. Areia-PB, 2009.

PARIDA, A. K.; DAS, A. B.; MITTRA, B. Effects of salt on growth, ion accumulation photosynthesis and leaf anatomy of the mangove (Bruguiera parviflora). Trees Structure and Funtion, v. 18, p. 167 – 174, 2004.

SÁ, F. V. S.; BRITO, M. E. B.; MELO, A. S.; ANTÔNIO NETO, P.; FERNANDES, P. D.; FERREIRA, I. B. Produção de mudas de mamoeiro irrigadas com águas salinas. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 17, n. 10, p. 1047-1054, 2013.

SILVA, J. B. C.; NAKAGAWA, J. Estudo de fórmulas para cálculo da velocidade de germinação. Informativo ABRATES, v.5, n.1, p.62-73. 1995.

STAFANELLO, R.; NEVES, L. A. S.; ABBAD, M. A. B.; VIANA, B. B. Resposta fisiológica de sementes de chia (Salvia hispanic – Lamiales: Lamiaceae) ao estresse salino. Revista Biotemas, v.28, p.35-39, 2015.

TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 820p. 2013.

TESTER, M.; DAVENPORT, R. Na+ tolerance and Na+ transport in higher plants. Annals of Botany, v.19, p.503- 527, 2003.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.