Zoneamento de fragmentos florestais prioritários para conservação em parques de Curitiba – Barigui, General Iberê de Mattos, São Lourenço, Tanguá e Tingui

Beatriz Cristina De Goes, Pablo Georgio de Souza, Nayara Guetten Ribaski

Resumo


Nos ecossistemas urbanos os remanescentes e fragmentos florestais representam um recurso precioso para a melhoria da qualidade de vida nas cidades. Assim, na criação da Lei nº 9.985 – Sistema Nacional de Unidades de Conservação o parque urbano assumiu como objetivo a preservação da biodiversidade para o bem coletivo. Sob essa ótica, destaca-se a necessidade da sociedade e de seus gestores em obterem conhecimento de novas ferramentas estratégicas de conservação. O objetivo da presente pesquisa foi elaborar um Zoneamento para Conservação dos remanescentes florestais dos parques de Curitiba (Barigui, General Iberê de Mattos, São Lourenço, Tanguá e Tingui), com o intuito de auxiliar nas ações dos programas de manejo das unidades de conservação. O Zoneamento foi realizado através de um ambiente SIG, que requer que todas as variáveis estejam representadas por meio de mapas temáticos subdivididos em unidades de análise, onde o mapa final foi obtido a partir da sobreposição desses mapas temáticos e de uma função matemática. A função foi necessária para expressar numericamente a interação das variáveis em análise e sua influência sobre a conservação do remanescente. Para isso, foram elaborados dois mapas para composição do zoneamento: Mapa de diversidade; Mapa de forma (elaborado a partir do cálculo de quatro métricas utilizadas em ecologia da paisagem: Índice de Circularidade, Índice Perimetral, Área e Perímetro). O resultado direto da equação de soma dos coeficientes de diversidade e forma foram apresentados na classificação em escala percentual que representa o grau de prioridade dos fragmentos para conservação, que varia entre 0%, sem prioridade de conservação, e 100%, alta prioridade de conservação. As recomendações de manejos foram realizadas conforme o coeficiente de análise (diversidade e forma) de cada fragmento estudado. Estes também tiveram sua prioridade de conservação reclassificada, transformadas em três grandes classes de prioridade de intervenção. Os manejos que foram recomendados de acordo com as análises são: bordadura, banco de sementes, regeneração natural, conexão, isolamento, exóticas, adensamento, enriquecimento e plantio total. Ao todo foram delimitados 67 fragmentos, ocupando uma área de 86,21 ha. Na classificação de prioridade de manejo, o parque que teve a maior classificação foi o parque Barigui, com 2 fragmentos em prioridade alta e 4 em intermediária, seguido pelo Tingui, com 1 fragmento em prioridade alta e 2 em intermediária. Sobre o total de fragmentos, a prioridade que prevaleceu foi a baixa, em 50 fragmentos ao todo. Cada fragmento apresentou dois tipos de manejos, para aumentar ou realizar a manutenção da sua diversidade e forma. A intervenção mais recomendada foi a de conexão, em 61 fragmentos no total. Seguido por 27 fragmentos com recomendação de controle de plantas exóticas e 20 de enriquecimento. Conclui-se que a maioria dos fragmentos estudados apresentaram alto grau de comprometimento da sua qualidade para serem considerados altamente prioritários para a conservação. E os três manejos mais recomendados (Conexão, Controle de Exóticas e Enriquecimento) são muito importantes para a sobrevivência e manutenção dos remanescentes, por isso demandam maior estudo para implantação efetiva das ações em campo.

 


Palavras-chave


Conservação; Fragmentos; Parques de Curitiba; Manejo

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