Identificação morfológica da espiroqueta Borrelia spp. no exame da hemolinfa de Rhipicephalus microplus

Nathália de Assis Queiroz, Stephanie Harue Massaki, João Victor Manzoni de Oliveira, Bruno Fernandes Albres, Carina Elisei, Jania de Rezende

Resumo


As bactérias Borrelia spp. são transmitidas para humanos, animais domésticos e silvestres por carrapatos da família Ixodidae. Esta espiroqueta pode acometer a doença, borreliose de Lyme-Símile Brasileira e/ou Síndrome Baggio-Yoshinari. No Brasil, a sua epidemiologia e identificação, necessita ser mais bem investigada, pois o exame parasitológico requer acuracidade. Existem evidencias da disseminação deste parasitismo, e consequentemente maior atenção da saúde Pública.  Objetivou-se neste estudo identificar Borrelia spp. na hemolinfa de fêmeas do carrapato Rhipicephalus microplus. Foram coletadas fêmeas ingurgitadas de carrapatos R. microplus de animais bovinos provenientes da fazenda Avaí, do município de Nioaque, Mato Grosso do Sul. As fêmeas foram lavadas com água, desinfectadas superficialmente com álcool a 70°, após foram secas com gases e transferidas para uma placa de Petri e em seguida incubadas para realização da postura. A seguir do início da postura, de 3 dias, a extração de hemolinfa foi realizada a partir de secção dos primeiros pares de patas com auxílio de uma tesoura oftálmica ou através de perfuração superficial na região dorsal com auxílio de agulha de insulina. Gotas da hemolinfa foram transferidas para uma lamina de vidro, após a secagem das amostras, estas foram fixadas com metanol e coradas com May Grünwald-Giemsa. As laminas coradas foram observadas em microscópio de luz, objetiva de 100x. Por meio do exame de hemolinfa foram encontradas as espiroquetas, infectando naturalmente os carrapatos. O exame morfológico do microrganismo e sua visualização em R. microplus sugere ser Borrelia spp.


Palavras-chave


Borreliose; Carrapato; Hemolinfa.

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