Adsorção de metais pesados utilizando fibras residuais da indústria de alimentos / Heavy metal adsorption using waste fibers from the food industry

Douglas Ferreira Cavalcante, Dalila Maria Barbosa Davi, Katiany do Vale Abreu, Maria Roniele Felix Oliveira, Carlucio Roberto Alves, Darlane Wellen Freitas Soares

Resumo


tem sido um problema frequentemente vivenciado por todos. Esses contaminantes, originados de processos industrias e mineradoras, podem trazer danos irreversíveis tanto para os seres humanos quanto para a fauna e a flora. Em vista da necessidade de solucionar o problema surge a biossorção, onde se utiliza em seu tratamento biomassas vivas ou mortas como biossorvente, diminuindo os custos no tratamento. Diante do que foi apontado, o presente estudo teve como objetivo avaliar a capacidade de dois tipos de biomassas, caracterizadas como rejeitos da indústria alimentícia, em adsorver cádmio. As biomassas foram identificadas como B1 e B2. As fibras foram lavadas, secas, trituras e peneiradas a fim de padronizar o tamanho das partículas a serem utilizadas. Para os ensaios de biossorção foram utilizados solução padrão de Cd2+ e concentração 6,0 g/L das fibras B1 e B2 com tamanho de partícula < 20 mesh e > 80 mesh. Os ensaios foram conduzidos em duplicatas, em agitador rotatório de bancada. Avaliou-se a biossorção para concentrações de 10 mg.L-1 e 20 mg.L-1 de Cd2+. As amostras foram retiradas nos intervalos de tempo 30, 60 e 90 minutos. As análises foram feitas em um Potenciostato/Galvanostato Autolab PGSTAT100, controlado através de computador com Software NOVA 2.0 que viabiliza ensaios voltamétricos e polarográficos. Para a concentração de 10 mg.L-1 o pH inicial foi de 6,18 e para 20 mg.L-1 o pH foi de 5,34. Após decorridos os 90 minutos de ensaio, os valores de pH final das amostras de efluente sintético de cádmio foram de 6,35 ± 0,3 (para as fibras B1 e B2) para a concentração de 10 mg.L-1 e 6,35 ± 0,4 (fibra B1) e 6,0 (fibra B2) para a concentração de 20 mg.L-1. Observou-se elevação do pH ao final do processo apenas na concentração de 20 mg.L-1 do metal avaliado. Após análise polarográfica obteve-se para o efluente sintético contendo fibra B1 e concentração inicial de 10 mg.L-1 de Cd2+ concentração residual de Cd2+ de 6,86 ± 0,7 ppm (remoção de 31,4%) após 30 minutos de adsorção, 6,33 mg.L-1 (remoção de 36,7%) após 60 minutos, e 3,69 ± 0,7 mg.L-1 após 90 min com remoção de 63,10%, expressando resultados bastante promissores. Para o efluente sintético contendo fibra B1 com concentração inicial de 20 mg.L-1 de cádmio a concentração residual de Cd2+ foi de 10,55 mg.L-1 com remoção de 47,25% para todos os tempos de adsorção analisados. Para o efluente contendo fibra B2 e concentração inicial de 10 mg.L-1 e 20 mg.L-1 houve adsorção de 100% em todos os tempos. A partir dos resultados obtidos conclui-se que os resíduos fibrosos apresentaram resultados bastante significativos e podem ser usados para o tratamento, uma vez que a fibra B1 foi capaz de adsorver 63% de cádmio de um efluente sintético com concentração inicial de 10 mg.L-1 em apenas 90 minutos de ensaio, enquanto a fibra B2 adsorveu 100% para todos os tempos e concentrações do metal avaliadas.

 


Palavras-chave


Biossorção, Biomassa, Polarografia, Adsorção, Cádmio.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.34115/basrv3n4-003

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